Travete

Tabela de Preços de Costura 2026: Ateliê e Facção

Preço de costura varia por região, por tipo de peça e, principalmente, por quem está contratando: pessoa física ou marca.

Não existe tabela oficial de preços de costura no Brasil. Nenhum sindicato publica valor obrigatório, e o que circula como "tabela 2026" é sempre referência de alguém — uma média de mercado, a lista de um ateliê, ou a sugestão de um curso.

Esta página faz duas coisas que as tabelas que circulam não fazem. Primeiro, separa os dois mercados que usam a mesma palavra: ateliê, que cobra de pessoa física por serviço, e facção, que cobra de marca por peça em lote. São ordens de grandeza diferentes e misturar os dois é o erro mais caro que se comete aqui. Segundo, diz de onde veio cada número, com data, e diz na frente onde a referência para de valer.

Atualizado em .

Ivan

Trabalhou em uma oficina de travete e caseadeira. Escreve sobre pagamento por peça e a rotina de quem costura para a marca dos outros. Sobre o autor.

Antes da tabela: ateliê, confecção ou facção?

Três negócios diferentes se escondem atrás da palavra "costura", e cada um cobra de um jeito. Antes de olhar qualquer valor, ache o seu:

AteliêConfecçãoFacção
Quem é o clientePessoa físicaLoja, sacoleira, consumidor finalA marca que manda produzir
O que vendeServiço na peça de alguémA peça pronta, com marca própriaSó a mão de obra de costura
Como cobraPor serviço, um a umPreço de atacado da peçaValor por peça, tarifa por referência
Quem paga o tecidoO cliente traz a peçaA própria confecçãoA marca manda o corte
Volume típicoUnidadeGradeLote de centenas

A diferença que mais confunde é entre confecção e facção. A confecção é dona do produto: compra tecido, assume estoque e vende. A facção não é dona de nada — recebe o corte, costura e devolve, cobrando pela costura. O risco é diferente, o capital é diferente, e por isso o preço não se compara.

Quase tudo o que aparece na busca por "tabela de preços de costura" é o primeiro caso. A tabela de facção é a que ninguém publica, e mais adiante você vai ver por quê.

Tabela de preços de costura para pessoa física (ateliê)

Os valores abaixo são a média nacional calculada pelo Cronoshare a partir de milhares de pedidos de orçamento reais feitos na plataforma, na atualização de 1º de janeiro de 2026. Não é uma tabela a seguir: é o retrato do que se pediu e se ofereceu Brasil afora.

ServiçoMédia nacional (2026)
Trocar botãocerca de R$ 9
Bainha de calçacerca de R$ 15
Pencecerca de R$ 16
Ajuste de cinturacerca de R$ 20
Remendocerca de R$ 20
Bainha italianacerca de R$ 25
Troca de zípercerca de R$ 30
Pequenos ajustes em geralR$ 15 a R$ 50
Peça sob medidaR$ 100 a R$ 600

Fonte: Cronoshare — Quanto custa um serviço de costureira, média nacional a partir de pedidos de orçamento, atualizada em 1º/01/2026.

Por que essa média engana se você olhar sozinha

Média nacional junta capital e cidade pequena, ateliê de bairro e ateliê de shopping. O tamanho do erro fica visível quando se põe do lado a lista de preços de uma casa específica.

A Ellegancy Costuras, um ateliê de São Paulo, publicou em dezembro de 2025 a própria tabela: bainha de calça jeans a partir de R$ 80, bainha de vestido simples R$ 100, troca de zíper básico R$ 50, zíper em blazer R$ 80, acinturar vestido a partir de R$ 120 sem zíper e R$ 210 com zíper, e um acréscimo de 20% a 30% para atendimento em domicílio.

Bainha de calça: cerca de R$ 15 na média nacional, a partir de R$ 80 num ateliê de São Paulo. Mesmo serviço, mais de cinco vezes de diferença, e os dois números são reais e datados.

É por isso que copiar tabela da internet é o pior jeito de formar preço. A tabela serve para você saber que faixa existe — nunca para dizer quanto você cobra.

Fonte do segundo conjunto: Ellegancy Costuras — Tabela de preços conserto de roupas 2026, publicada em dezembro de 2025. É a lista de um ateliê de São Paulo, não uma referência regional.

O que explica a distância não é ganância de um nem ingenuidade do outro. É clientela, custo de ocupação e prazo. Ateliê em bairro caro de capital, com aluguel de rua movimentada e entrega em dois dias, opera numa faixa que não tem relação com a de quem costura em casa numa cidade de trinta mil habitantes.

O que essas tabelas não cobrem

Nenhuma lista de preço de ateliê que circula fecha o serviço inteiro. Três coisas ficam sempre de fora, e são justamente as que dão prejuízo quando não se cobra.

Deslocamento. Buscar e entregar peça, ou atender em domicílio, é tempo e transporte. O ateliê de São Paulo citado acima resolve isso com um acréscimo declarado de 20% a 30%, o que é mais honesto que absorver em silêncio.

Urgência. Peça para ontem fura a fila de quem entregou antes. Cobrar por isso não é abuso: é o preço de reorganizar a semana e, muitas vezes, de avisar outro cliente que vai atrasar.

Peça de festa, noiva e couro. Saem da faixa das tabelas de conserto — o mesmo ateliê lista bainha de calça de couro a R$ 280 e cerzido invisível cobrado por centímetro. Tecido caro traz risco junto: se estragar, quem paga é quem costurou, e esse risco tem que estar no valor.

Quanto a facção cobra por peça, e por que não existe tabela

Aqui esta página vai dizer o que as outras não dizem: não existe tabela pública de preço de facção por peça, e este texto não vai inventar uma.

Procurando em agosto de 2026 pelas consultas que uma dona de facção usaria, o que volta é ateliê. Média de bainha, ajuste de cintura, vestido sob medida, conserto. As poucas listas com valor por peça que aparecem são de 2022 e 2023, não dizem de onde tiraram os números e nem deixam claro se o valor inclui o tecido — o que muda tudo, porque facção não compra tecido.

A ausência não é descuido de quem escreve. Ela tem uma razão de negócio.

Por que o valor da facção não vira tabela

É preço negociado entre duas empresas, não preço de balcão. Ateliê expõe tabela na parede porque atende quem entra pela porta. Facção fecha valor com cada cliente, por referência, e esse número costuma estar dentro de uma relação que envolve volume, prazo e continuidade. Ninguém publica.

A unidade de cobrança não é a peça em geral, é a referência. Uma calça cargo e uma calça básica são a mesma "calça" numa tabela, e são dois valores diferentes na prática, porque a cargo tem mais bolsos, mais pespontos e mais pontos de travete. Uma tabela por tipo de peça calcula errado por construção. É o mesmo motivo pelo qual a planilha gratuita que fecha o pagamento por peça guarda a tarifa chaveada em referência mais operação, nunca só na operação.

Facção não cobra por hora, e é o método que a busca vai te ensinar. Os guias mais bem colocados sobre valor de mão de obra de costura ensinam a definir um valor por hora e multiplicar pelo tempo da peça. Está certo para ateliê. Para facção está errado: você combina um valor por peça, e quem ganha ou perde com a velocidade da costura é você, não o cliente.

O que eu posso afirmar, e o que não vou cravar

Trabalhei em oficina de travete e caseadeira, que é serviço terceirizado cobrado por peça. Posso afirmar com segurança como a cobrança funciona e por que a tarifa muda de referência para referência.

Não vou dizer quanto vale a operação de overloque, de galoneira ou de reta. Eu não operei essas máquinas nem negociei esses valores, e um número inventado que soa plausível é pior que número nenhum — alguém fecha contrato em cima dele.

A conta que substitui a tabela

O que dá para ensinar é o formato da conta. Os valores abaixo são redondos e de exemplo, escolhidos para a conta ficar fácil de acompanhar. Não são referência de mercado e não devem ser copiados.

Exemplo: um lote de 500 calças, três operações que são suas. Se você combinou R$ 1,00 por peça no travete, R$ 0,50 no caseado e R$ 0,50 no pregar botão, o lote vale R$ 2,00 por peça, ou R$ 1.000 no total.

A pergunta que decide se esse valor serve não é "está na média?". É: quantas peças por hora a sua oficina faz nessas três operações, e quanto custa uma hora da sua oficina com salário, encargos, energia, aluguel e manutenção dentro? Se as 500 peças ocupam duas semanas de duas pessoas, R$ 1.000 não paga. Se ocupam dois dias de uma, é outra conversa.

Esse é o único caminho honesto: o seu preço sai do seu custo e da sua produtividade, não da tabela de terceiro. O passo a passo dessa conta está logo abaixo, na seção sobre calcular o seu preço.

O que faz o preço de costura subir ou descer

Os fatores abaixo valem para os dois mercados, e são o que explica duas oficinas cobrarem valores diferentes pela mesma peça sem nenhuma delas estar errada.

Como ajustar a tabela para a sua região

Referência de fora só vira ferramenta depois de passar por três passos. Dá para fazer em uma tarde.

1. Levante três preços da sua cidade. Não do Brasil: da sua cidade. Ligue para três ateliês ou três oficinas e peça orçamento de um serviço concreto e igual nos três — bainha de calça jeans, por exemplo, ou o valor por peça de uma referência que você já produz. Anote os três com a data.

2. Calcule o seu custo por hora. Some o que a oficina consome por mês: salários com encargos, pró-labore, aluguel, energia, internet, manutenção e reserva para troca de máquina. Divida pelas horas que a oficina realmente produz no mês, que são bem menos que as horas em que ela fica aberta.

3. Compare os dois lados. Se o preço da sua cidade paga o seu custo por hora com folga, você tem margem para negociar prazo e volume. Se não paga, o problema pode não ser o preço: pode ser produtividade, mix de peça ou custo fixo grande demais para o volume que entra.

Refaça essa conta pelo menos uma vez por ano, e sempre que mudar salário, aluguel ou o mix de peças que você produz. Tabela de preço envelhece rápido — é justamente por isso que quem procura digita o ano na busca.

Como calcular o seu preço em vez de copiar tabela

Este guia é a referência: serve para você saber que faixas existem e não fechar um valor completamente fora da realidade. Ele não é o método.

O método é a conta que sai do seu custo, da sua produtividade e da margem que você quer, e é ela que resiste a cliente pedindo desconto. Está inteira em quanto cobrar por peça de costura, com o passo a passo e os erros que mais aparecem no primeiro orçamento.

Perguntas frequentes

Existe tabela oficial de preços de costura?

Não. Nenhum órgão ou sindicato publica valor obrigatório para serviço de costura no Brasil. Toda "tabela 2026" que circula é referência de mercado de alguém: uma média de plataforma, a lista de um ateliê ou a sugestão de um curso. Servem para comparar, não para obedecer.

Posso cobrar mais caro que a tabela?

Pode, e em muitos casos precisa. Tabela não é teto nem piso. Se o seu custo por hora, o seu acabamento ou o seu prazo justificam um valor maior, o valor maior é o certo. O que não se sustenta é cobrar acima da faixa da sua cidade sem nada que explique a diferença para o cliente.

De quanto em quanto tempo devo reajustar?

Pelo menos uma vez por ano, e fora do calendário sempre que mudar salário, aluguel, energia ou o mix de peças. Reajuste anual pequeno passa; três anos sem mexer viram um salto que o cliente estranha.

Facção cobra por peça ou por hora?

Por peça, com valor combinado por referência. A hora aparece do seu lado da conta, para saber se o valor por peça paga — nunca no que você apresenta ao cliente. Cobrar por hora é método de ateliê e não se aplica a quem costura para a marca dos outros.

Como cobro a peça que voltou para retrabalho?

Combinado antes, por escrito, junto do resto do acordo. O que costuma valer é distinguir defeito de costura, que é seu, de mudança pedida depois ou problema que veio no corte, que não é. Sem esse combinado no papel, o retrabalho cai sempre em quem costurou.

As duas ferramentas que sustentam o preço

Preço combinado só vira dinheiro no fim do mês se a produção estiver anotada e o acerto fechar. As duas planilhas do site são gratuitas e baixam sem cadastro.

O modelo de ficha técnica em Excel é onde a referência ganha nome, sequência de operações e valor combinado — é dela que sai a tarifa. E a planilha de controle de produção e pagamento lança quantas peças cada costureira fez e fecha o pagamento do período, com a tarifa chaveada por referência.

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